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Aves limícolas e marinhas precisam de espaço nas praias

O monitoramento do uso de praias por pinípedes e por aves limícolas e marinhas n as proximidades do Parque Estadual de Itapeva e do Refúgio da Vida Silvestre Ilha dos Lobos gera seus primeiros resultados. A equipe do Instituto Curicaca e do Parque de Itapeva tem percorrido as praias mensalmente identificando e contando as aves, os lobos e leões marinhos que estejam frequentando a praia. Ao mesmo tempo, mede as perturbações humanas presentes e tenta estabelecer correlações com a biodiversidade.



Nesse período inicial do projeto, financiado pela Fundação O Boticário e que começou o monitoramento em outubro, a Ilha dos Lobos tem o seu uso reduzido pelos leões e lobos marinhos, que migram pro sul. Por isso, não era esperado uma grande ocorrência destes animais na praia. Até agora, foram encontrados apenas um filhote de lobo marinho descansando na Praia de Fora e um adulto morto na Praia de Passo de Torres, em Santa Catarina. O estado avançado de decomposição não permitiu verificar a causa morte, que poderia ser natural ou provocado por redes de pesca.


Já com as aves, a situação é outra. As espécies encontradas têm variado em tipo e quantidade ao longo dos três meses de monitoramento tendo sido avistados grandes bandos de maçaricos, biguás, gaivotas e pernilongos, diversos casais de piru-pirus e quantidades variadas de savacus e garças-brancas. Algumas espécies têm sido mais raras, ou porque ocorrem em menor quantidade, como a garça-moura, ou porque ainda não chegaram com as grandes migrações, como as batuíras, trinta-reis, talha-mares e batuiruçus.


Mesmo com poucos meses de trabalho, os resultados preliminares já apontam a grande importância para a conservação da biodiversidade de algumas áreas da praia, como onde deságuam os arroios, local preferido pelos grandes bandos de maçaricos para alimentação e repouso. Não menos importantes são os sangradouros das águas da chuva que escorrem das dunas. A grande concentração de casas de veraneio atrás das dunas frontais e o uso mais intenso da praia por veranistas e veículos também parece influenciar negativamente a preferência dos grandes bandos de aves para pousar e repousar.


O monitoramento ainda segue por quase um ano e deverá trazer informações bem importantes para a gestão das praias próximas de áreas protegidas costeiro-marinhas visando à harmonia entre a conservação da biodiversidade e o uso para lazer, recreação e turismo. Quem quiser contribuir ou acompanhar a iniciativa pode acessar a fanpage Nossos Amigos da Praia. Nela é possível postar fotos de animais encontrados nas praias de Torres e de Arroio do Sal, sempre informando a data, hora e nome da praia. Uma forma de participação social no projeto.

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