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Corredor ecológico na fronteira oeste do RS beneficiará espécies ameaçadas de Brasil e Argentina

Instituto Curicaca apresenta à especialistas os primeiros resultados do desenho de corredor ecológico que está sendo planejado para a porção meridional do Corredor Tri nacional da onça-pintada. A iniciativa, elaborada em parceria com o WWF-Brasil e o Instituto de Biociências da UFRGS, vem atender a um compromisso antigo da ONG em detalhar e dar destaque à região do Parque Estadual do Turvo e das terras indígenas do Guarita e de Nonoai para buscar viabilidade territorial a grandes mamíferos e rapinantes, que ocorrem do Rio Grande do Sul somente nessa região.


Primeiro desenho de caminhos de conectividade da porção meridional do Corredor Trinacional.

Para a oficina foram convidados especialistas em planejamento da paisagem para a conservação e nas espécies consideradas como beneficiárias do corredor – anta, queixada, cateto, puma, onça-pintada, alguns cervídeos e grandes rapinantes ameaçados. Como áreas núcleo, além das citadas, foram incluídas três áreas protegidas da argentina e outras duas terras indígenas menores do lado brasileiro. A área de abrangência inclui parte das reservas da biosfera de Yaboti e da Mata Atlântica, que também estariam sendo beneficiadas.


Na oficina foi apresentada a metodologia e as ferramentas de apoio utilizadas, as camadas de informações consideradas – uso e cobertura, sistema hídrico, estradas, áreas urbanizadas e formas do relevo - e os pesos e gradientes de influência de cada uma das variáveis considerada a preferência de deslocamento das espécies, fruto de debate e consenso na equipe técnica envolvida. Uma série de rodadas dos programas, supervisionadas e sobre as quais foram testados ajustes que os algoritmos não conseguem fazer sozinhos, resultaram num mapa de permeabilidade para as espécies beneficiárias e, por fim, uma primeira versão dos corredores.


Os participantes do Brasil e Argentina trouxeram questões e contribuições importantes ao processo, debatidas e encaminhadas na oficina ou que serão retomadas nas próximas reuniões da equipe que está trabalhando no desenho. Nas avaliações finais, houve unanimidade entre os convidados sobre tratar-se de uma abordagem robusta, que contribuirá muito para a implementação do Corredor Trinacional e servirá de inspiração para outras iniciativas nacionais e internacionais. Os próximos passos são o aperfeiçoamento do desenho e o início de oficinas virtuais e presenciais com diversos atores do território – moradores, gestores públicos, instituições de pesquisa, associações, extensionistas e organizações de produção.