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Derrubadas nunca mais! Nossa meta é a antítese

O nome do município resume sua história, que se fez do desmatamento no ciclo das balsas do Rio Uruguai. Grandes toras amarradas entre si eram levadas pelos balseiros rio abaixo para cortar em tábuas o precioso cedro, madeira nobre preferida da região no comércio extrativista da primeira metade do século 19. O monumento da praça, um pequeno trator de esteira, simboliza o poder da tecnologia conquistando a natureza.



Hoje, a mesma praça toma outro contorno, mais colorida na esperança de mudanças pelo turismo no Salto do Yucumã. Agora a estrela da decoração é a onça-pintada, quatro delas, imóveis imitam posturas da rainha das florestas, o maior felino das Américas. Brutal contradição! No Parque do Turvo eram três, eram duas, resta uma, o Yaboti. Um macho que teve a astúcia ou a sorte de fugir dos caçadores. As derrubadas se foram com o fim das florestas, mas as caçadas, pelo visto, só terminarão com a última onça.


Desde 2019 o Curicaca, em parceria com o WWF Brasil, vem buscando formas de mudar essa tendência negativa. Realizamos o estudo mais completo até agora das populações de mamíferos ameaçados do Parque. Facilitamos um plano integrado de controle da caça envolvendo múltiplas instituições e promovemos qualificações de agentes de polícia e guarda-parques. Desenhamos e estamos implantando um corredor ecológico entre áreas protegidas. Criamos articulações com parceiros argentinos. Estamos construindo capacidades de gestão dos cachorros que invadem o parque predando e transmitindo doenças. Avançamos na educomunicação pela natureza. E assim vai.


A região nos traz sentimentos fortes. Quando a noite percorremos uma trilha na mata, nosso coração se assusta pela chance que uma pintada surja da escuridão. Ainda a noite, em meio ao estrondo das águas do Yucumã, os olhos esperam encher-se da luz de uma lua cheia que sobre a floresta fará brilhar a espuma lavando pedras. Em cima, lá no alto, um potente rapinante nos deixa imaginar a infindável e frondosa floresta argentina ou o entediante deserto verdes das monoculturas de soja brasileiras.

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