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Dia do Patrimônio gera avanço no registro do artesanato com palha de butiá como patrimônio imaterial

O Dia do Patrimônio do RS acontece neste sábado (17) a partir das 9h30, no Palácio Piratini. No evento será assinado o Decreto do Patrimônio Imaterial, que marca um passo importante para o registro do Modo de fazer artesanato com palha de butiá da Região de Torres (RS), prática transmitida através de gerações em muitas famílias daquela região. A decisão visa regulamentar o processo de reconhecimento dos bens culturais como patrimônio imaterial do estado. Veja a programação completa do Dia aqui: http://bit.ly/2MGPrlq


Para Patrícia Bohrer, coordenadora de educação e cultura do Curicaca, a iniciativa em realizar uma semana do patrimônio é muito importante, a nível estadual e nacional. “Isso valoriza o patrimônio cultural, artístico, que é uma área muito carente, assim como a do meio ambiente”, ela explica. O Curicaca está na caminhada pela a salvaguarda dos saberes e fazeres do artesanato de palha de butiá há algum tempo. A equipe da ONG começou as ações pela conservação do ecossistema e reconhecimento dos portadores do bem cultural em 2005, no âmbito da Ação cultural de criação saberes e fazeres da Mata Atlântica. Diversas atividades complementares vieram desde então, mas foi em 2016 que uma proposta com subsídio técnico para o registro como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul foi apresentada ao IPHAE. “Estamos com uma grande expectativa que com a assinatura desse decreto deslanche o processo de reconhecimento desse modo de fazer das senhoras de Torres, com as quais trabalhamos por quase 15 anos”.


No contato com as artesãs, o Curicaca conseguiu coletar informações sobre o artesanato, o processo artesanal e sobre as protagonistas desse saber, que foram reunidas no site Artes do Butiá (http://bit.ly/33tZm3E), de produção da ONG. O modo de fazer das artesãs não está mais sendo transmitido para os jovens. Outros produtos concorrem com as confecções de palha e os mais novos não tem mais interesse. Para Alexandre, “é possível que, o fazer do artesanato com a palha de butiá, do ponto de vista prático, do cotidiano da vida das pessoas, deixe de existir, mas com o registro teremos a segurança de que o modo de fazer e de toda a riqueza cultural associada permanecerá na memória da população de Torres e como parte da diversidade cultural da sociedade gaúcha e do povo brasileiro”.



A atividade, há muito tempo atrás, fazia parte da vida de quase todas as famílias, sendo protagonizada majoritariamente por mulheres. Nas fibras das plantas nativas, muitas avós, mães e filhas encontraram um meio econômico baseado na troca de chapéus de palha por mercadorias, mas também um espaço lúdico, onde se criavam vínculos sociais e se fortaleciam os laços.


Muitas das senhoras artesãs aprenderam o ofício ainda pequenas, e contam sobre as brincadeiras que faziam quando trançavam em grupo. O “trançado” era um momento para contar histórias, jogar jogo de nó, e estar em família. Para muitas, também se configurou como autonomia financeira, pois na época, elas trocavam diretamente os chapéus por tecidos para roupas e outros produtos.

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