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ICMBio discute medidas administrativas para o Refúgio da Ilha dos Lobos

Nesta primeira segunda-feira de abril, o Instituto Curicaca foi convidado a participar da Oficina Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos em Torres/RS. No intuito de dar agilidade aos planos de criação de um Conselho Gestor e de um plano de manejo, o ICMBio organizou a reunião com os grupos de interesse à Ilha dos Lobos para diagnosticar os usos do território de influência da Unidade de Conservação e os atores direta ou indiretamente associados a ela. 


Realocado na classificação das Unidades de Conservação em 2005, de Reserva Ecológica para Refúgio de Vida Silvestre, o REVIS da Ilha dos Lobos representa um verdadeiro refúgio aos lobos e leões-marinhos em suas rotas migratórias. Vindos do sul, os pinípedes buscam no litoral Norte gaúcho águas mais quentes para acasalar, alimentar-se e repousar. Porém, sua importância não acaba aí. A ilha é frequentada por aves migratórias, sua parte submersa é habitada por garoupas ameaçadas de extinção, o mar ao seu redor recebe baleias, toninhas, tubarões e arraias, muitos desses também ameaçados. 


A importância da ilha e suas águas e areias submersas ainda não é totalmente conhecida. Sua localização estratégica na porção sul do Brasil lhe confere reconhecimento nacional para a conservação da biodiversidade marinha. Seu bom funcionamento faz parte dos compromissos assumidos pelo Brasil em convenções internacionais sobre melhor preservar os oceanos e sua riqueza biológica. É preciso tomar consciência das ameaças que as intervenções humanas (principalmente a pesca e o turismo inconsequente) oferecem à biodiversidade protegida no Refúgio. 


Em um município turístico como Torres, alvo de explorações imobiliárias frente ao processo de urbanização que vem sofrendo, a visita de cerca de 400 mil turistas para o veraneio anual (IBGE, 2010) pode oferecer risco à preservação da biota local. Delimitada por apenas 142,39 hectares, o que o Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos tem de pequeno, tem também de vulnerável. A dois quilômetros da costa, enquanto a Ilha dos Lobos não tem conselho nem plano de manejo, está sujeita aos impactos do surf, da pesca, navegações turísticas e do uso de lanchas e de motos aquáticas, que além de perturbarem o descanso dos animais, interferem diretamente em seus hábitos alimentares. 


Discutido isso, o Instituto Curicaca vinha apontando a urgência de um plano de manejo e da consolidação de um Conselho Consultivo para regularizar, supervisionar e proteger efetivamente essa reserva natural e suas atividades vinculadas. Após sentenciada a ação judicial que pede agilidade por parte do ICMBio em dar esses dois passos, a prioridade do órgão está voltada para a criação do Conselho, que oportunizará a participação organizada da sociedade na gestão da UC. Entretanto, é preciso estar alerta: estabelecer a participação pública na gestão não traduz necessariamente atender às necessidades de todos os interessados, mas compatibilizar, regrar e até mesmo proibir usos e atividades que interajam com os objetivos de proteção da área discutida. 

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