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Instituições somam esforços pela Reserva da Biosfera do Pampa

O Pampa é o mais ‘novo’ bioma do país, tendo sido reconhecido como tal somente em 2004. Com cerca de um milhão de hectares, divididos entre os territórios brasileiro, uruguaio, argentino e paraguaio, estima-se que cerca de metade da sua cobertura nativa já não exista mais por consequência da influência do homem. Quanto à outra metade, apenas 1,5% são de áreas protegidas. A criação de políticas que visam à sua conservação é, portanto, urgente.


Nesse sentido, diversas instituições têm atuado para que seja criada a Reserva da Biosfera do Pampa. Os primeiros movimentos surgiram no Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica do Rio Grande do Sul (CERBMA/RS) que em 2005 iniciou esta gestão junto ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) e à Unesco no Brasil. Um primeiro esboço de Reserva surgiu daí, mas a iniciativa foi suspensa por falta de interesse do MMA, que iniciava uma ação de revisão do sistema de gestão das Reservas de Biosfera brasileiras.


Mais recentemente, o projeto da URB-AL Pampa “Aglomerados Urbanos em Áreas Protegidas”, promoveu uma cooperação de municípios da região pampeana para apoiar a criação da Reserva. Foi demandada, então, uma reunião com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA) para a discussão de um possível apoio do estado do Rio Grande do Sul. A SEMA está avaliando a possibilidade, que, se aceita, deve ser levada ao MMA.


O Instituto Curicaca tem participado como provocador ou apoiador de todas estas iniciativas, aportando sua longa experiência com este sistema internacional de gestão do território. Alexandre Krob, coordenador técnico da ONG, lembra que para a criação de uma Reserva de Biosfera é necessário que o governo do país manifeste seu interesse à UNESCO, responsável pelo projeto “O Homem e a Biosfera”, que cria estas áreas de conservação ao redor do mundo. Se considerada pertinente com a proposta do projeto, a UNESCO reconhece internacionalmente a área como Reserva da Biosfera, locais que têm como objetivo a conservação, o desenvolvimento econômico, humano, cultural, social e sustentável e o suporte para pesquisa, monitoramento e educação ambiental.


Entre todos os biomas brasileiros, somente o Pampa ainda não é reconhecido como Reserva da Biosfera. Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado e Pantanal já fazem parte desta importante ferramenta de conservação do meio ambiente. Mas por aqui, continuam os esforços para que a área seja vista com a tamanha relevância ambiental e cultural que tem. Afinal, apesar da diferença de nacionalidades, a identificação do povo pampeano com a paisagem campeira, com o clima temperado, com a milonga e o chimarrão não existe em outro lugar do planeta, e este já seria um fator decisivo para a criação da Reserva da Biosfera do Pampa.

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