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Nota à sociedade sobre a “extinção” da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.



É com pesar que o Instituto Curicaca informa à sociedade gaúcha e brasileira ter testemunhado um enorme retrocesso na gestão ambiental do Rio Grande do Sul, que assemelha-se simbolicamente a uma punhalada. Ontem, na madrugada do dia 21 de dezembro, continuávamos gritando “NÃO À EXTINÇÃO” nas galerias da Assembleia Legislativa, quando os deputados autorizaram a proposta do Executivo de extinção da Fundação Zoobotânica e outras fundações públicas. Definiu-se, assim, a demissão de 194 servidores da FZB, muitos deles especialistas, e com eles a perda de conhecimentos de alto nível acumulados em longos anos de vida pública. A Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável declarou que assumirá para si as funções e serviços da instituição. No entanto, é sabido por quem atua tecnicamente na área que isso é impossível. Essa afirmação serviu apenas de subterfúgio estratégico para que a extinção e as demissões fossem aprovadas. 



No momento em que a humanidade encontra-se ameaçada pelo aquecimento global, mudanças climáticas e a enorme perda de serviços ambientais que sustentam a vida no Planeta, medidas que, na contramão dos acordos mundiais, reduzem significativamente nossa capacidade técnica e científica de reagir, são perversas, cruéis e podem trazer consequências desastrosas ao meio ambiente, à economia e à sociedade. A história mostra que demoramos para perceber a dimensão de atos de pessoas e grupos que trabalharam contra a existência humana. Tardou para reconhecermos a escravatura, os extermínios étnicos, a perseguição de povos, a poluição, a destruição das florestas enquanto crimes cometidos contra a humanidade e contra o meio ambiente. Da mesma forma, o total desmantelamento da gestão ambiental no Rio Grande do Sul, planejado pelo Executivo e respaldado pelo Legislativo, ficará na história como uma lesão irreparável, perpetrada contra o meio ambiente, contra a sociedade e contra as gerações futuras. 


Autorização não significa extinção. Antes disso, ainda vai ter muita luta!

Certos de que os prejuízos serão imediatos, registramos para a história o nome dos que, em conjunto, planejaram, orquestraram e executaram esse ato: Governador José Ivo Sartori, Secretária Ana Pellini e os trinta deputados que votaram a favor da extinção; Álvaro Boessio, Edson Brum, Gabriel Souza, Gilberto Capoani, Ibsen Pinheiro, Juvir Costella, Tiago Simon e Vilmar Zanchin (PMDB), Adolfo Brito, Frederico Antunes, Gerson Borba, João Fischer, Marcel van Hattem e Sérgio Turra (PP), Gilmar Sossella e Vinicius Ribeiro (PDT), Aloísio Classmann, Marcelo Moraes e Maurício Dziedricki (PTB), Adilson Troca, Jorge Pozzobom, Pedro Pereira e Zilá Breitenbach (PSDB), Elton Weber, Liziane Bayer e Miki Breier (PSB), Any Ortiz (PPS), Sérgio Peres (PRB), João Reinelli (PV) e Missionário Volnei (PR).


Perdemos uma batalha, mas a luta não está perdida. Nossa determinação agora se volta para que os impactos decorrentes tornem-se visíveis, suas consequências judicialmente reconhecidas e os envolvidos responsabilizados. O Governo recebeu uma autorização de extinção da FZB. Cabe a nós, demonstrar o imenso retrocesso que isso representa e o tamanho do enfrentamento com a sociedade que terá que passar para executá-la. Contamos pra isso com os mesmos guerreiros que vestiram a camiseta "NÃO À EXTINÇÃO", que se manifestaram, estiveram nas ruas, nos gabinetes, na praça e nas galerias. Também queremos convidar tantos outros que tenham forças a somar. Logo estaremos fazendo demandas de voluntários para fortalecer e criar novos meios de resistência. Vamos, juntos, reverter essa decisão arbitrária tomada no fatídico dia 21 de dezembro. Mantenham-se atentos à nossa comunicação e chamamentos!



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