Buscar

Plano de Mata Atlântica de Porto Alegre pode deixar de preservar fragmentos florestais importantes

InGá e Curicaca questionam a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade quanto ao processo de elaboração do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA), que estaria em curso pelo órgão. Em ofício conjunto enviado ao Secretário, as ONGs apontam falhas no envolvimento da sociedade, no método, nas informações que estão sendo usadas como base de apoio e destacam que as entidades ambientalistas não vão aceitar e nem legitimar o que está acontecendo.


Para o coordenador técnico do Instituto Curicaca, Alexandre Krob, cuja experiência inclui o planejamento de Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade brasileira, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, corredores ecológicos e para a conservação de espécies e ecossistemas ameaçados, “é necessário trabalhar com critérios claros, mensuráveis e especializados para estabelecer a prioridade dentre os remanescentes. Há muito tempo deixou-se de fazer esse tipo de trabalho na base de um desenho subjetivo sobre mapa em papel. Porto Alegre é uma cidade muito importante para estar usando formas tão primitivas de planejar”.

Paulo Brack, professor da UFRGS e membro da coordenação do InGá, chama a atenção para a “ausência de objetivos claros, disponibilização de documentos prévios à Consulta, como estudos anteriores e marcos legais e políticas já existentes, bem como carência de apresentação de uma metodologia para as consultas e participação da sociedade e das etapas da construção do Plano”.

Preocupa também às ONGs a questão ética envolvida. Pode haver conflito de interesses por parte da empresa contratada para a realização dos serviços técnicos para o PMMA, que já presta consultoria para várias construtoras de Porto Alegre que solicitando autorização para supressão de remanescentes de vegetação de Mata Atlântica do município.


Ao todo foram 14 questões levantadas pelas duas ONGs, que aguardam resposta pela Secretaria para avaliarem os próximos passos na busca de garantias para o pouco que resta de encraves de Mata Atlântica localizados nos morros, vales e orlas de Porto Alegre.