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Projeto busca a valorização do artesanato com fibras de plantas nativas do Litoral Norte


O Instituto Curicaca, em parceria com a Secretaria Estadual da Cultura, está desenvolvendo o projeto “Artesanato com fibras naturais e palha do butiá: salvaguardando um bem cultural das comunidades da Mata Atlântica”. O registro desse bem, que vem se perdendo em função das dificuldades econômicas e da falta de regulamentação da legislação que estabelece a necessidade de licenciamento ambiental para a extração da palha, vai ser feito na forma de um site, ferramenta acessível às novas gerações que desconhecem esse saber.


Nos meses de agosto e setembro, a equipe realizou trabalho de campo, visitando as artesãs e conhecendo melhor a situação atual do bem cultural, o processo histórico de difusão desse conhecimento, a importância do artesanato na vida das famílias das quais ele faz parte há três ou mais gerações, entre outros. A partir de outubro, começa a fase de montagem e produção do conteúdo e design do site.


Desde 2003, o Instituto Curicaca vem trabalhando com a conservação dos butiazais do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Esse trabalho envolve várias áreas: a técnica, de pesquisa e aplicação do Plano de Conservação e Uso Sustentável dos butiazais; a de políticas públicas, pela atuação em conselhos de Unidades de Conservação; a educação ambiental, através de atividades em escolas da região e oficinas para professores; e a valorização da cultura, buscada pelo reconhecimento dos bens culturais locais como patrimônio cultural imaterial e pelos encontros de trocas de saberes.


A valorização do artesanato com a palha do butiá tem relação direta com a conservação desse ecossistema, que antigamente era uma paisagem predominante na região e hoje conta apenas com poucos remanescentes. Além disso, o reconhecimento desse saber como um patrimônio cultural imaterial da comunidade da região contribui com a formação da identidade coletiva e com o sentido de continuidade da cultura daquele grupo de pessoas, levando ao respeito pela diversidade, ao estímulo aos processos criativos, ao restabelecimento das conexões perdidas e à auto-estima dos grupos envolvidos. O artesanato com fibras de outras plantas nativas da região também farão parte do conteúdo do site, mas o enfoque principal será na palha de butiá.


A previsão é de que o site seja colocado no ar até janeiro, quando haverá uma festa de lançamento em Torres, onde a maioria das artesãs vive. O evento é outro momento importante do projeto, quando será proporcionado o encontro e a troca de conhecimentos entre as artesãs e o público, mas principalmente entre os próprios portadores desse saber, que compartilham da mesma cultura, mas em alguns casos nem conhecem uns aos outros.

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