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Reação social ao projeto de lei que propõe rodovia dentro do Parque Nacional do Iguaçu

A integridade do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, uma das primeiras reservas da Mata Atlântica no Brasil, vem sendo ameaçada pelo projeto de lei 7.123/2010 do deputado federal Assis Couto (PT/PR), que prevê a construção de uma rodovia onde até 2003 existiu ilegalmente a Estrada dos Colonos, que cortava a reserva ao longo de 18 quilômetros. 


O projeto pretende criar a categoria “estrada-parque”, hoje inexistente, através de uma alteração na lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), além de autorizar interferências estaduais em unidades de conservação federais. O enfraquecimento da legislação possibilitaria, ainda, a reivindicação de projetos semelhantes em outras UCs do país.  A proposta já foi aprovada na Câmara e segue para o Senado. A fim de chamar atenção dos senadores e da população, o Instituto Curicaca entre outras instituições civis de todas as regiões brasileiras assinam a Cartilha: A Estrada não é o caminho.


Caso o projeto seja aprovado uma consequência provável é a retirada, pela Unesco, do título de Patrimônio Natural da Humanidade, concedido ao Parque em 1986, já que seria rompido o compromisso de conservação reafirmado pelo Brasil em inúmeras situações, a última delas em 2012 durante a 36ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em São Petersburgo.


A reivindicação parte da crença de uma minoria de moradores de que a construção da estrada vai fomentar a economia e o turismo regional, mas até mesmo a Polícia Federal já alertou, com preocupação, que a criação da estrada facilitaria o tráfico de drogas e o contrabando de mercadorias na região da fronteira. Uma área que levou 10 anos para se regenerar seria novamente devastada e espécies já ameaçadas como a onça-pintada, cujo último censo de 2010 revelou a existência de apenas 18 indivíduos, ficariam mais próximas da extinção. 

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