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Reserva da Biosfera de Yaboti terá ajuda do Curicaca na proteção de onças-pintadas que chegam ao Par

Instituto Curicaca, Fundação Vida Silvestre Argentina e Ministerio Ecologia Misiones reúnem-se para planejar ações conjuntas à conservação da onça-pintada e outros grandes mamíferos na Reserva da Biosfera de Yaboti. A Provícia de Misiones abriga remanescentes florestais cruciais para o fluxo de espécies no Corredor Verde, área que interconecta os parques nacionais da Região de Iguaçu (ARG e BR) ao Parque Estadual do Turvo (BR), passando Parque Provincial Moconá (ARG). Com a presença de guardas-parques das duas Unidades de Conservação, a parceria, que hoje é informal e pontual, avança para tomar dimensões ainda mais consistentes e eficazes na conservação da biodiversidade regional.



A cooperação entre as duas ONGs e os governos gestores das áreas protegidas deverá permitir o aperfeiçoamento de instrumentos de gestão, a qualificação de guarda-parques, o uso de tecnologias inovadoras para a conservação da biodiversidade e o aperfeiçoamento de estratégias de combate à caça. A iniciativa ocorre no âmbito do Projeto Onças do Yucumã, conduzido pelo Curicaca, e do projeto “Saving the jaguar, am embassor for américa”, conduzido pelo WWF. Este último, voltado para a conservação da paisagem e da onça-pintada na Selva de Maya (México) e no Bosque Atlântico (PY, BR e ARG), tem o Curicaca como parceiro.


Alan Benitez Vortsch, Sub-secretário do Ministerio de Ecologia, abriu a reunião representando o Governador da Provícia de Misiones e o Ministro de Ecologia. Foi aplaudido pelos presentes ao afirmar que: “O Ministro e o Governador têm compromisso com ás áreas protegidas e com o trabalho dos guarda-parques da Província de Misiones. Queremos ser parceiros e apoiar iniciativas que desenvolvam projetos e busquem recursos internacionais para aplicar na conservação da biodiversidade. Queremos conjuntamente com o Brasil seguir fortalecendo de maneira fraterna e binacional as áreas protegidas transfronteiriças”. 



A reunião tratou da grave situação da caça e as necessidades para tornar mais efetivo o seu enfrentamento numa cooperação entre os dois países e com maior apoio de inteligência. Uma das metas é que os guarda-parques brasileiros alcancem em curto prazo as mesmas capacidades técnicas e de equipamento de seus colegas argentinos. Um diálogo para acelerar esse processo vem sendo feito pelo Curica com a Sema/RS, que está organizando um curso para março de 2020 e logo após providenciaria armamentos modernos e equipamentos de proteção para os guardas.


O monitoramento da onça-pintada e suas presas deverá ser fortalecido com iniciativas complementares da FVS, Curicaca, WWF-BR, Ministerio Ecologia e Sema/RS. O desafio é nivelar metodologias e garantir que o esforço amostral permita segurança para a estimativa populacional em todo o Corredor Verde. Uma reunião técnica de nivelamento metodológico deverá acontecer em março de 2020 organizada pela FVS e o Curicaca, para a qual serão convidados os parceiros pesquisadores e técnicos das áreas protegidas.



Um tema não menos importante foi a necessidade de constante capacitação dos guarda-parques, cujas exigências de formação técnica é muito diferente entre os dois países. Enquanto na Argentina existe uma escola que garante um currículo mínimo para atender as necessidades da profissão, no Brasil a exigência é apenas de nível médio, sem qualificação profissional. No médio prazo, é necessária uma política que seja mais exigente na qualificação e seleção de guarda-parques. No curto prazo, a cooperação que se formou entre as duas ONGs vai buscar meios para que agentes brasileiros participem no programa argentino e vai realizar oficinas técnicas para preencher algumas lacunas críticas.



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