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Vulnerabilidade social leva indígenas a comercializarem plantas silvestres

A atual situação de vulnerabilidade social em que vivem os índios guarani da região metropolitana de Porto Alegre é perceptível para qualquer pessoa que ande pelas ruas do Centro da cidade, onde eles vendem seus artesanatos diariamente. Há pouco tempo, alguns deles encontraram uma nova forma de garantir seu sustento: vendendo plantas ornamentais no Brique da Redenção e no Centro. O problema é que essas plantas são silvestres, ou seja, são retiradas diretamente da natureza, causando desequilíbrio ao ecossistema e ameaça às espécies.


Após denúncias, o assunto foi levado ao Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, onde foi pauta da última reunião. A situação é preocupante por não haver controle nenhum sobre como, de onde e quais exatamente são as plantas que estão sendo retiradas. Sabe-se que algumas delas são orquidáceas, família que conta com várias espécies ameaçadas de extinção e algumas endêmicas.


A situação dos indígenas, por outro lado, é ainda mais preocupante. Consciente da importância da conservação do meio ambiente, inclusive para sua própria sobrevivência, a etnia recorre ao comércio das plantas ornamentais por falta de opção.


Para pensar em uma solução que equilibre os dois aspectos, o Comitê criou um Grupo de Trabalho para debater a situação. O objetivo é chegar a soluções concretas – como, quem sabe, o apoio aos indígenas para o cultivo de bromélias e orquídeas – e que respeitem o tempo de cada cultura.


A primeira reunião aconteceu no dia 22 de março e contou com a participação de representantes do Núcleo de Estudos em Desenvolvimento Rural Sustentável e Mata Atlântica/UFRGS, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, da Fundação Zoobotânica, do Instituto Curicaca, da Prefeitura de Porto Alegre, da Secretaria de Desenvolvimento Rural e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Os principais encaminhamentos foram pela intensificação do diálogo com as lideranças indígenas e pela busca de condições estruturais para a solução do problema, contemplando as necessidades indígenas e a necessidade de cuidado com estas espécies raras.



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