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Artesanato com palha de butiá de Torres está próximo de ser patrimônio cultural do Rio Grande do Sul

Em audiência com a Secretária Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul, Beatriz Araujo, acompanhada do Diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, Renato Savoldi e da historiadora Frinéia Zamin, entregamos a proposta atualizada de reconhecimento do "Modo de fazer artesanato com palha de butiá na região de Torres" como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul.



O documento foi alcançado pela detentora do saber e mestra artesã Eni Monteiro, representando diversas mestras que solicitam esse reconhecimento. Eni foi acompanhada de Patrícia Bohrer, nossa coordenadora de educação e cultura, e de Alexandre Krob, nosso coordenador técnico e de políticas públicas.


Alexandre lembrou que "a proposta vem de uma longa caminhada desde 2004, quando conheci uma detentora do bem. Era o início de uma relação com outra história, mas essa de quase dois séculos de presença e transmissão desse saber entre gerações". Patrícia destacou que "desde cedo o IPHAE foi um parceiro técnico no planejamento de ações pelo uso sustentável dos butiazais e a rica troca entre as equipes ajudou a realizarmos um bom diagnóstico, ações de salvaguarda que há tempos estão em curso e até parte desse diálogo prático foi aproveitado na construção da política pública estadual para o patrimônio cultural imaterial".


Eni contou um pouco de sua história de vida com o trançar da palha e costurar chapéus, uma herença que lembra ter recebido da avó e da mãe desde os seis anos de idade. Na juventude, foi o meio para adquirir vestidos fazendo escambo em armazéns locais. O relato avivou a memória da Secretária Beatriz sobre os chapéus de palha. A emoção dessa troca contaminou o ambiente, quase que simulando uma parte da rede de significados históricos, sociais, econômicos, afetivos, estéticos e de autonomia das mulheres que sempre acompanham esse fazer.


Uma vez que a proposta já recebeu um primeiro parecer técnico do IPHAE, onde a Frinéia reconheceu sua qualidade técnica e pediu algumas complementações, ficou a intenção do Diretor do IPHAE e da Secretária que a proposta atualizada seja avaliada rapidamente e até possa ser submetida à Câmara Técnica na sua reunião de novembro.