Gestão de animais carnívoros domésticos em unidades de conservação

Durante muito tempo o impacto de mamíferos exóticos predadores sobre a fauna silvestre foi desconhecido ou subestimado. Hoje sabemos que predomina a predação, seguida da perturbação sobre o comportamento da fauna nativa, a transmissão de doenças, a competição e a hibridização. Na prática, o Instituto Curicaca tem vivenciado esse problema no Parque Estadual de Itapeva, no Refúgio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos e na APA do Banhado Grande. No parque são documentadas a predação de tuco-tuco e de ninhos de piru-piru por parte de cães e gatos. Na praia de Itapeva eles causam o afugentamento das aves migratórias que ali pousam para descansarem e alimentarem-se, assim como perturbam os lobos e leões-marinhos que chegam do mar para recuperarem-se de ferimentos. Na APA e no Refúgio, onde vivem os últimos cervos-do-pantanal do Rio Grande do Sul, tem ocorrido a perseguição de fêmeas e a caça de filhotes.

 

Não é só isso: o monitoramento da fauna silvestre com câmeras fotográficas tem mostrado riscos semelhantes em diversas outras áreas protegidas. Relatos indicam o mesmo para outros estados brasileiros e a bibliografia é farta demonstrando ser esse um problema mundial. Trata-se da necessidade de controlarmos uma ameaça à biodiversidade que carrega um significado social, cultural e afetivo.


O desafio é grande, mas para o Instituto Curicaca e seus parceiros é uma motivação. Iniciamos então uma ampla articulação de colaboradores e de responsáveis para com o tema. Em seguida, realizamos um desenho de planejamento preliminar, basicamente composto por quatro grandes eixos, que incluem o diagnóstico contextualizado do problema, medidas preventivas, captura dos cães e gatos que circulam dentro das áreas protegidas e monitoramento dos resultados, pois os erros, se bem avaliados, também se transformarão em soluções. Esse entendimento é, por fim, a base de políticas públicas que possam ser implementadas para resolverem, preventivamente e da melhor forma possível, um problema que aflige a maioria das Unidades de Conservação.
 

Já demos o primeiro grande passo, realizamos a primeira reunião técnica ampliada para avançarmos na instalação do Programa de Gestão de Carnívoros Domésticos em Unidades de Conservação. Participando técnicos do Instituto Curicaca, do Instituto de Biociências e da Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS -, da Fundação Zoobotânica, da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Sema/RS -, do Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio - e das Unidades de Conservação que farão parte dos estudos de caso. Há nessa equipe inicial também pessoas que atuam pelo bem estar animal e, assim, o grupo definirá também os próximos passos dessa caminhada.
 

Acompanhe o Instituto Curicaca e saiba mais da iniciativa.

Leia a nota completa sobre estes primeiros passos em nosso Facebook.

Situação: em andamento.


Equipe envolvida: Alexandre Krob, Andreas Kindel (Ecólogo - UFRGS), Caroline Zank,

Parceiros: Instituto de Biociências e da Veterinária UFRGS, Fundação Zoobotânica do RS, Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Sema/RS -, Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio - e das Unidades de Conservação que farão parte dos estudos de caso.

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