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Aconteceu no PROCERVO

Foram intensas as atividades no conjunto de eventos do Procervo. O encontro de especialistas e pesquisadores teve inicio na tarde do dia 27 (quarta-feira) com visita ao Refúgio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos, em Viamão, seguida de palestra e debate, no Memorial do Rio Grande do Sul. Já, no dia 28 (quinta-feira), foi realizada uma oficina técnica com especialistas, que definiram as próximas atividades de pesquisa e monitoramento do Programa.


Cerca de 20 pessoas, entre as quais, representantes da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), do Ibama, do Instituto Curicaca e estudiosos realizaram a Trilha do Cervo, na única área de ocorrência do Cervo do Pantanal no Estado. Em quase uma hora de caminhada orientada foram descritas as características físicas, geográficas e sociais do Refúgio da Vida Silvestre, que ocupa 2.543 hectares dentro do maior assentamento Filhos de Sepé, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Além da beleza do local, destaca-se a importância da ocorrência de variados tipos de vegetação, entre os quais, a área seca, o campo, a mata paludosa e a mata úmida. Assim como, o corredor próximo à margem do banhado, onde há possibilidade de visualizar as pegadas deixadas pelos Cervos em sua passagem.


Métodos e práticas para coleta de material biológico e captura de exemplares de Cervos foram discutidas durante o trajeto a fim de ampliar as possibilidades de conhecer e monitorar a população de cervídeos existente no Refúgio. A experiência do professor José Maurício Duarte Barbanti, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Jaboticabal, serviu como complemento para o reconhecimento da área e do comportamento dos cervos ampliando as possibilidades de discussão e ação.


O Refúgio Banhado dos Pachecos está dentro da APA do Banhado Grande, contudo é cercada por plantações de arroz. A caça, a pesca, as queimadas e a agricultura no entorno do Refúgio são limitantes no processo de conservação da diversidade da flora e fauna locais. Da mesma forma, as pesquisas relacionadas às espécies e populações ali existentes ainda são limitadas e pouco abrangentes, devido, em parte, a criação recente das áreas de proteção. A atuação da Sema para fiscalização e monitoramento do local é realizada de modo a contemplar tanto a APA, quanto o Banhado dos Pachecos, de modo que,  as atividades conjuntas resultam em melhor eficácia e resultados.


Noite de palestras

O Memorial do Rio Grande do Sul recebeu um público de, aproximadamente, 40 pessoas durante a sequência de palestras e debate sobre a conservação da fauna. Além de fazer parte do evento da Procervo, as atividades integraram o “ciclo de desenvolvimento sustentável: articulação de práticas e saberes”, organizado pelo instituto Curicaca trimestralmente.


O convidado especial da noite foi o professor Dr. José Maurício Duarte Barbanti, da Unesp, e coordenador do NUPECCE (Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos) da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal, que abordou a “conservação dos cervídeos brasileiros: desafios e perspectivas”. O conhecimento de Barbanti está embasado em mais de 20 anos de pesquisa sobre os cervídeos, o que o torna a maior referência sobre o assunto no país.


Barbanti destacou a importância da pesquisa para conhecer as características morfológicas e comportamentais de cada espécie, assim como as condições físicas necessárias para seu desenvolvimento. Com base nos trabalhos realizados em São Paulo, apresentou as técnicas e métodos utilizados para o monitoramento dos cervídeos, além das novas tecnologias que podem ser adotadas para sua preservação. Ressaltou ainda, que acompanhamento dos cervos está associado ao entendimento das práticas recorrentes no local em que se registra a ocorrência do animal. “É preciso conhecer as causas da mortalidade dos animais, para saber como e onde agir”, afirma Barbanti.


Com o título sugestivo ”para que servem aquelas plaquinhas na beira da estrada?”, a apresentação do professor Dr. Andreas Kindel, do Centro de Ecologia da UFRGS fomentou o debate sobre o comportamento humano em relação ao meio ambiente. Após defender as vantagens de adaptação e resistência dos cervos em condições adversas e em comparação com outros animais mais frágeis e menos aceitos pela sociedade, Kindel descreveu formas de tentar integrar as pessoas em defesa dos animais e de seu espaço, com base na educação e conscientização. “Nós, os biólogos, precisamos aprender a lidar com gente”, finaliza Kindel.


A apresentação dos órgãos públicos ficou por conta de Maurício Vieira de Souza, Diretor Técnico do IBAMA-RS e que esteve representando o Superintendente do Ibama no Rio Grande do Sul, João Pessoa Moreira, com a abordagem “Competências públicas para gestão de fauna no Rio Grande do Sul”.  Moreira apresentou as atribuições governamentais para conservação da fauna e flora, seguindo orientações legais e eixos de prioridades da instituição. Mas, a principal ênfase se deu em relação as divisão de competências entre os órgãos nos âmbitos federal, estadual e municipal para que cada um exerça a sua parte, agindo, legislando e fiscalizando adequadamente, o que permitiria obter resultados mais animadores. Assim, Maurício pontua que é necessária a “participação dos órgãos interligados, pois os esforços no licenciamento devem ser conjuntos e não apenas do IBAMA”.


Ao fim dos debates ficou claro que a conservação e ampliação dos ambientes naturais são fundamentais para que se concretizem as tentativas de manter e aumentar a população de Cervos do Pantanal. Sendo que, é necessária a atuação conjunta dos diversos setores da sociedade, cada qual compreendendo a importância de suas ações e da preservação de outras espécies, para garantir a sustentabilidade dos ecossistemas.


Definições e troca de experiências em oficinas

Na quinta-feira, dia 28, os pesquisadores reuniram-se, durante todo o dia, para definir as diretrizes de continuidade das atividades do Procervo. O Instituto Curicaca coordena a integração entre os órgãos governamentais e as instituições de pesquisa a fim de preencher as lacunas existentes no processo de conservação do Cervo do Pantanal no Rio Grande do Sul.


A implantação de um plano de pesquisa e monitoramento e a atuação em outros eixos complementares, como educação, interação com a sociedade e economias sustentáveis é base para o Procervo. De modo que, a troca de experiência entre profissionais, que utilizam diversas práticas com o objetivo de preservação da fauna subsidia a elaboração de estratégias de ação. A participação de representantes do DEFAP, FZB, Instituto Curicaca, Unesp, UFRGS e PUCRS reafirma a existência de condições e intenções concretas para dar continuidade ao Programa. Definir como e com quem atuar para garantir a conservação do Cervo do Pantanal e ampliar as áreas de ocorrência foi o primeiro passo dessa jornada.


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