Banhado Amarelo/Josafaz: diagnóstico do Curicaca expõe ameaças crescentes e falta de políticas públicas efetivas no território
- institutocuricaca
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A compreensão das dinâmicas sociais e econômicas na região do complexo Banhado Amarelo/Josafaz é fundamental para identificar ameaças, pressões e oportunidades relacionadas à conservação da biodiversidade. Com esse objetivo, o Instituto Curicaca realizou estudos socioeconômicos para subsidiar uma Avaliação Ecológica Rápida (AER), buscando aprofundar a compreensão sobre a importância regional dessas áreas.

Os resultados mostram que, entre 1985 e 2023, o complexo Banhado Amarelo/Josafaz perdeu 3% das florestas nativas, 300 hectares de formações campestres e teve 80 hectares convertidos em plantação de soja. No que se refere ao avanço da silvicultura, que teve um aumento de 4% no período, os levantamentos de campo identificaram inúmeras invasões com pinus, representando alto risco sobre os campos e banhados.
As entrevistas com representantes de órgãos públicos permitiram validar e atualizar informações sobre programas e projetos que representam ameaças ou oportunidades para a conservação. “Infelizmente, os levantamentos apontam uma estagnação, ou seja, quase nada está sendo feito para garantir ou promover atividades sustentáveis, enquanto a região está na mira e vem perdendo para atividades econômicas impactantes. Assim como em outras áreas relevantes para a conservação no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a falta de políticas públicas e projetos consistentes e de longo prazo deixa espaço para a perda de biodiversidade”, alerta Alexandre Krob, coordenador técnico e de políticas públicas do Curicaca.
O estudo aconteceu no âmbito do GEF Pró-Espécies e do PAT Planalto Sul. O diagnóstico socioeconômico foi entregue à SEMA-RS e ao IMASC e a expectativa é que seja incorporado em políticas públicas, por exemplo, na gestão da APA da Rota do Sol ou na fiscalização e controle do avanço desordenado da silvicultura sobre os campos de altitude. “Estamos à disposição para continuar contribuindo com o AER, que no PAT Planalto ficou a cargo do Museu de Ciências da SEMA-RS”, concluiu Alexandre.
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