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Elas trançam a palha, nós costuramos o fio da conservação na Mata Atlântica


Foi através de uma palmeira ameaçada de extinção e de corredores ecológicos que conhecemos essas mulheres guerreiras, maravilhosas e que nos doam saberes de imensurável valor. As trançadeiras da palha de butiá da região de Torres são como nossas avós, tias, primas. Como noutras comunidades que trabalhamos, formam com a equipe do Curicaca uma grande família.


As mãos não param, precisam cruzar as palhas umas sobre as outras criando um estado interno de paz e alegria que é totalmente terapêutico. Dona Verônica nos acostumou com um café com mistura, se não aceitássemos pela correria do trabalho ficava chateada. Nunca dissemos não. Na Judith é o suco de butiá com um bolo de fubá. Na Eni a mesa parece um café colonial, mas são os sorrisos a maior variedade. Lá se vão vinte anos.


A interdependência entre natureza e cultura é fascinante. É também exigente. Os laços entre elas já foram muito fortes, mas hoje estão se rompendo. Os conhecimentos transmitidos há seis gerações estão nas mãos de poucas senhoras já idosas. Os jovens estão noutra. A sociedade está noutra. O Planeta está quase noutra. Durante a expedição, retomamos alguns dos muitos diálogos que temos feito e entregamos mudas da palmeira para plantio nos quintais produtivos numa parceria com a Farm Rio.

Precisamos atuar simultaneamente pela proteção e recuperação do ecossistema butiazal e pelo restabelecimento do diálogo cultural entre avós e netas, mães e filhas. O recente registro como patrimônio cultural imaterial estadual foi uma conquista que novamente movimentou as mãos na prática da trança. Com imensa alegria, essas detentoras do saber começam a sair da invisibilidade.

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