top of page
Buscar

A neblina nos revela uma ilha misteriosa com histórias fascinantes


As seis horas da manhã chegamos na marina, onde o piloto Tiago e o pesquisador Paulo Ott nos aguardam. O mar promete calmaria, mas a bruma encobre tudo e é necessário esperar. Já embarcados, aguardamos uma trégua do nevoeiro, que nos deixe navegar e enxergar a Ilha dos Lobos.


As dez horas é preciso decidir. Encarar o mar em condições de pouca visibilidade ou desistir. Vamos em frente! A equipe está ansiosa para mostrar a Chris Scarffe a menor Unidade de Conservação marinha do Brasil, nem por isso menos importante.


Essa pequena formação de pedras abriga uma colônia de lobos e leões-marinhos, recebe aves migratórias, baleias-francas com filhotes, tartarugas e dá suporte a um ecossistema submerso de grande riqueza. É chave num corredor ecológico costeiro-marinho interligando com a APA da Baleia Franca, o Parque de Itapeva, o Refúgio Molhes da Barra e o Parque da Lagoa do Peixe. Para os navegantes, é abrigo de pequenos barcos de pesca em meio a tempestades, mas também local do naufrágio do Navio Avahy no século passado.


Esteve por muito tempo meio esquecida, por isso, o acompanhamento social e a parceria técnica do Instituto Curicaca têm sido importante na busca por maior efetividade. Pressionamos pela criação do conselho e do plano de manejo. Hoje, com uma boa gestão e sendo membro do colegiado, ajudamos na elaboração do plano de manejo. Ainda é preciso pressionar por uma Zona de Amortecimento.


Rodeados pela cerração, cruzando as ondas que elevam e abaixam o pequeno barco, nosso piloto revela "fazia anos que não vinha aqui sem GPS". Isso não preocupa, esse passotorrense experiente chegaria à Ilha de olhos fechados.


Os leões-marinhos nos recebem. Vários deles, que emergem e mergulham ao redor nos observando. Logo ali, as ondas quebrando nas pedras e uma colônia inteira rugindo roucamente em meio ao sonido do vento. O cenário é bucólico, apenas nós, a natureza e o desafio dessa convivência pacífica entre todos os seres. Naquele momento a Torres de concreto não existe, não perturba, é um monstro adormecido, podemos imaginar em seu lugar a exuberante Mata Atlântica.




Comments


bottom of page