Corredor ecológico do cervo-do-pantanal é afetado por manutenção no Canal do DNOS; Curicaca pede ajuda ao MPF
Em 2013, o Curicaca apresentou o desenho final do corredor ecológico para a conservação do cervo-do-pantanal no Rio Grande do Sul. O documento foi incorporado ao Plano de Manejo da APA do Banhado Grande e para ele foram definidas diretrizes de implantação, que têm orientado decisões de gestão dessa área protegida. Nesse momento, um grave conflito vem crescendo na área associada ao canal do DNOS, que interliga a barragem do Assentamento Filhos de Sepé ao Rio Gravataí.

Desde que a Aegea Saneamento, empresa que adquiriu a Corsan, passou a fazer gestão
desse canal, as intervenções têm sido de intensa degradação ambiental e inconformidade com as diretrizes do corredor ecológico. O manejo facilita o acesso de caçadores com uso de pequenas embarcações. Com a vegetação do canal e das margens removida, o cervo perdeu as condições para um deslocamento seguro entre o Refúgio de Vida Silvestre Banhado dos Pachecos (REVIS) e os remanescentes de banhados localizados na APA, ficando superexposto à caça e ao ataque de cães.
Por isso, o Curicaca recorreu ao Ministério Público Federal pedindo a reabertura de um processo instaurado há cerca de 20 anos, cujos resultados não foram efetivos, e que previa a implantação de um corredor ecológico nesse canal. Para a ONG, a situação envolve uma responsabilidade compartida entre Incra, autarquia federal responsável pelo Assentamento Filhos de Sepé, e as Unidades de Conservação geridas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema/RS), cujo corredor está em seus planos de manejo. O envolvimento federal se justifica pela conservação do cervo ser parte do Plano de Ação Nacional (PAN) de Ungulados e por ser o assentamento uma área federal.
Desde então foram realizadas três reuniões envolvendo Curicaca, MPF, Incra, Sema, Comando Ambiental da Brigada Militar e Aegea/Corsan. O Curicaca solicita que a empresa apresente um plano de gestão do canal compatível com as funções do corredor ecológico e que os órgãos estaduais – Sema, CABM e DEMA planejem e executem ações integradas contra a caça na região.


