Curicaca restaura ecossistema de butiá-da-praia em ação pioneira no Sul do Brasil
Nos dias 5 e 6 de outubro, a equipe do Instituto Curicaca com a ajuda da equipe do Laboratório de Sementes da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul trabalhou no plantio de mudas de butiá-da-praia (Butia catarinensis) em aproximadamente 4 hectares do Parque Estadual de Itapeva, em Torres (RS). A ação ocorre com apoio da FARM Rio
através do projeto “Mil árvores por dia”. Essa é a primeira iniciativa de restauração ecológica com a espécie butiá-da-praia conhecida no meio técnico-científico.

O projeto já nasceu com um desafio: a inexistência de mudas desta espécie para grandes plantios. A solução veio pela ativação de uma ampla rede de parcerias que o Curicaca tem na área de restauração. Primeiro foi identificado o Sítio São José, em Torres, como fornecedor de sementes. Situado a cerca de 1km do local de plantio, é ideal para manter a genética da espécie, quase extinta na região, mas que foi dominante entre Imbituba (SC) e Osório (RS).
A parceria com o Laboratório de Sementes foi essencial para dominar a técnica de quebra da dormência da semente. Na natureza, uma semente pode levar até três anos para germinar. No laboratório, simulando temperatura, umidade e tempo de exposição adequados, levou-se semanas.
A equipe do Curicaca participou de todas as fases – coleta de sementes, preparo no laboratório, repicagem e apoio no viveiro. As mudas, plantadas agora, começaram a ser preparadas no verão de 2022. Em 2023 foram repicadas, isto é, foi feita a transferência das plantas germinadas para os sacos com substrato, e desde então permaneceram no viveiro. Por três anos se desenvolveram e fortificaram para alcançarem cerca de 60cm e poderem sobreviver no ambiente natural onde agora estão.
A atuação do Curicaca na região do Parque de Itapeva vem de longa data. A iniciativa é transversal a várias frentes em que a ONG atua: a restauração da biodiversidade, a conservação dos butiazais, a valorização do artesanato com palha de butiá, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Sul e a efetividade de Unidades de Conservação.



