Buscar

Parque do Itaimbezinho vai fechar! (13/11/09)

Alexandre Krob*


O risco de fechamento foi informado pelo gestor do Parque Nacional de Aparados da Serra durante a última reunião do conselho desta Unidade de Conservação da natureza, deixando a comunidade e instituições parceiras muito apreensivas.


O motivo do fechamento é visível a quem visita a área; a precariedade no funcionamento e no atendimento ao público. Já na entrada, os pagantes não recebem há meses um bilhete de ingresso, pois os bloquinhos ainda não chegaram. Nos banheiros é preciso usar papel higiênico para secar as mãos, enquanto do lado de fora se amontoam dezenas de pessoas em volta de um único bebedouro de água, cansadas após uma trilha no sol escaldante. Não é possível comprar nem mesmo uma garrafa de água no parque. As lancherias estão fechadas por falta de uma nova licitação para a prestação desse serviço. Como entrar na temporada de férias nestas condições?


A situação é bastante contraditória para aquela que foi considerada pelo Ministério do Meio Ambiente uma entre as dez mais prioritárias Unidades de Conservação do Brasil e que, ainda por cima, está comemorando cinqüenta anos da sua criação. Entre os problemas enfrentados pela administração do parque está a falta de repasse de recursos para os gastos corriqueiros, como produtos de limpeza. A solução viria facilmente com a aplicação daquilo que é possível pela lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Trata-se da retenção no parque de até cinqüenta por cento da arrecadação com ingressos, a serem usados para a implementação, manutenção e gestão da área. Só que hoje o valor é integralmente enviado aos cofres da União.


Calculemos juntos! São cerca de cinqüenta mil visitantes por ano, a um preço de seis reais, totalizando cerca de trezentos mil reais. Apenas dez por cento disso já seria suficiente para a compra dos materiais básicos e para fazer algumas manutenções urgentes. Claro que um parque nacional com trinta mil hectares precisa de muito mais do que esta pequena quantia para funcionar direito, protegendo a natureza, realizando educação ambiental, promovendo a pesquisa e o ecoturismo, mas não há porque complicar o uso rápido de um dinheiro que já está na mão.


Enquanto o parque não oferece um mínimo de conforto aos visitantes, há quem perca tempo com projetos extravagantes e ambientalmente impróprios, como um bondinho atravessando o canyon do itaimbezinho. A proposta mancharia completamente a paisagem. Os visitantes ficariam confusos ao não saber se vieram ao parque para admirar uma das formações geológicas mais importantes do planeta ou para ver mais uma engenhoca daquelas com as quais a sociedade humana costuma pichar suas maravilhas naturais. Entre a miséria e a luxúria, há muito o que fazer!


* Coordenador Técnico do Instituto Curicaca

CURIO1.png